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1ª edição · Março de 2026

Resultados e Modelo de Adoção

1. Objeto

A regulação assistencial é um dos nós críticos da gestão da saúde pública. O volume de encaminhamentos, a fragmentação dos fluxos e a sobrecarga administrativa sobre os profissionais de saúde comprometem tanto a eficiência do sistema quanto a qualidade do cuidado ao paciente. O MediRec nasceu para enfrentar esse desafio — integrando tecnologia, escuta dos profissionais de saúde e profundo conhecimento dos processos do SUS para transformar a regulação em um fluxo ágil, rastreável e centrado no paciente.

A plataforma é construída a quatro mãos: de um lado, a equipe da 2BLP Futuro; do outro, a própria Secretaria Municipal de Saúde — desde a gestão central até os operadores da ponta. Esse processo de co-construção garante que cada funcionalidade responda a necessidades reais do dia a dia das unidades, tornando o MediRec não apenas uma ferramenta tecnológica, mas um projeto compartilhado de melhoria contínua do sistema de saúde.

2. MediRec

O MediRec é uma plataforma de gestão de saúde desenvolvida pela 2BLP Futuro Ltda., voltada para a automação e otimização dos processos de regulação assistencial na rede pública de saúde. Concebida em estreita colaboração com profissionais de saúde, a solução foi desenhada para se adaptar aos fluxos de trabalho já existentes nas unidades, reduzindo a carga administrativa e aumentando a eficiência do cuidado ao paciente.

Um dos pilares centrais do MediRec é sua integração nativa com o SISREG — Sistema Nacional de Regulação do Ministério da Saúde. Por meio dessa integração, os profissionais realizam os encaminhamentos e contrareferências diretamente pela plataforma, que sincroniza as informações em tempo real com o SISREG, eliminando a dupla digitação, reduzindo inconsistências e preservando a continuidade do fluxo assistencial.

A qualidade das solicitações é reforçada por um mecanismo de análise baseado nos protocolos clínicos da rede pública de saúde. No momento do registro, o sistema confronta as informações clínicas inseridas pelo profissional com os critérios dos protocolos vigentes, orientando-o sobre a adequação do encaminhamento antes mesmo de seu envio ao regulador. Esse processo assistido aumenta a conformidade das solicitações, reduz as taxas de devolução e o retrabalho administrativo, diminui o tempo de espera do paciente e apoia o desenvolvimento clínico contínuo do profissional solicitante.

Por fim, o MediRec identifica e rastreia as equipes responsáveis por cada caso e solicitação, permitindo filtrar automaticamente os encaminhamentos devolvidos e notificar diretamente a equipe competente para sua resolução. Cada equipe passa a receber, de forma autônoma, os alertas relativos aos seus próprios devolvidos — com todas as informações necessárias para agir de imediato, sem depender de triagem ou intermediação administrativa. O resultado é uma rede de regulação mais ágil, transparente e centrada no paciente, com ganhos expressivos para profissionais, gestores e, sobretudo, para quem aguarda atendimento.

Além do SISREG, o MediRec integra os sistemas SER, GAL, SISCAN, SINAN Rio, eSUS e resultados de exames laboratoriais, com previsão de integração futura com HCI, os outros SINANs e SIPNI.

Os resultados obtidos com o MediRec nas unidades da rede demonstram impacto concreto e mensurável sobre a eficiência assistencial.

3. Usuários do MediRec

O MediRec atende todos os perfis profissionais de uma unidade de saúde — médicos, enfermeiros, farmacêuticos, agentes de saúde, dentistas, técnicos, administrativos, equipes de NASF/eMulti, gerentes e diretores. Cada categoria de usuário acessa um conjunto de funcionalidades desenvolvido especificamente para suas atribuições, visualizando apenas as informações pertinentes ao seu papel. Esse modelo de acesso segmentado garante ao mesmo tempo a agilidade operacional de cada profissional e a conformidade com os princípios de privacidade e proteção de dados estabelecidos pela LGPD.

O MediRec encontra-se ainda em fase de implementação e expansão.

FunçãoNúmero de operadores
ACS4.275
ADM253
Agente de Ação Social3
Assistente Social12
Auxiliar de Saúde Bucal23
Dentistas293
Diretor de Unidade21
eMulti79
Enfermeiro863
Farmacêutico11
Fisioterapeuta38
Fonoaudiólogo4
Gerente de Unidade218
Médico Solicitante946
Nutricionista26
Professor de Educação Física2
Psicólogo53
Psiquiatria2
Regulador424
RT de Enfermagem de Unidade/CAP123
RT de Medicina de Unidade/CAP238
Técnico de Enfermagem232
Técnico de Farmácia10
Técnico de Saúde Bucal21

4. Uma economia de 8 a 12 horas por médico

O módulo SISREG reduz o tempo de encaminhamento de 8 a 10 minutos por solicitação para apenas 10 a 13 segundos — uma redução de mais de 95% no tempo dedicado a cada registro. Na prática, isso representa uma economia de 8 a 12 horas por médico por semana, variando conforme o volume de solicitações e o nível de pressão assistencial da unidade.

Gráfico mostrando crescimento aproximado de 21 vezes no volume mensal de encaminhamentos via MediRec, com cerca de 10 segundos de processamento por encaminhamento.
Encaminhamentos SISREG feitos a partir do MediRec vs. tempo de encaminhamento

5. Uma redução de aproximadamente 65% no estoque acumulado de encaminhamentos devolvidos

Nas áreas e unidades que adotaram o módulo de devolvidos, observou-se uma redução de aproximadamente 65% no estoque acumulado de encaminhamentos devolvidos.

Esse resultado é viabilizado por três inovações: a automatização do processo de filtragem por unidade, equipe e solicitante; os mecanismos de notificação e sinalização de devolvidos; e a eliminação do fenômeno dos devolvidos sem dono.

Devolvidos sem dono são solicitações devolvidas encaminhadas por profissionais que não pertencem mais à unidade. Antes do MediRec, a identificação desses casos exigia um esforço manual específico. O MediRec atribui automaticamente esses devolvidos às equipes adequadas, integrando-os ao fluxo normal de tratamento.

Nos gráficos abaixo, a cor cinza (null) representa os encaminhamentos devolvidos sem dono — ou seja, aqueles que ainda não foram atribuídos a nenhuma equipe.

Encaminhamentos devolvidos por equipe em área que não implementou o MediRec.
Área que não implementou o MediRec
Encaminhamentos devolvidos por equipe em área que implementou o MediRec.
Área que implementou o MediRec

6. Uma queda de mais de 50% na taxa de devolução

Nas unidades que adotaram o módulo de devolvidos, observa-se uma redução significativa na taxa de devolução: de ~7% antes da implantação para ~3% após o uso do módulo — uma queda de mais de 50% variando conforme o volume de solicitações e o nível de pressão assistencial da unidade.

Taxa de devolvidos após envio para o SISREG a partir do MediRec no CMS Heitor Beltrão.
CMS Heitor Beltrão: ~3% após o uso do módulo
Taxa de devolvidos após envio direto para o SISREG no CMS Heitor Beltrão.
CMS Heitor Beltrão: ~7% antes da implantação

7. Um crescimento orgânico

A adoção do MediRec segue um padrão consistente e orgânico. Após o treinamento inicial, observa-se uma primeira mobilização espontânea dos early adopters da unidade — geralmente os profissionais mais abertos e familiarizados com tecnologia —, que se tornam os principais usuários durante os três a quatro primeiros meses.

Sem necessidade de treinamentos adicionais, esse período é seguido por uma democratização gradual do uso. O marco dessa transição é identificável com precisão: é o momento em que o volume de encaminhamentos realizados pelo MediRec ultrapassa o volume registrado diretamente no SISREG. Essa fase de transição dura em média três meses, ao cabo dos quais o MediRec torna-se o canal majoritário de encaminhamentos na unidade.

O sucesso desse processo de adoção depende, em grande medida, da identificação precoce dos early adopters dentro de cada unidade, bem como do engajamento ativo dos Responsáveis Técnicos de Medicina, dos Gerentes de Unidade e dos Responsáveis Técnicos de Medicina de CAP — atores-chave na legitimação e disseminação do uso da plataforma.

Seguem os gráficos de duas unidades e da AP com maior tempo de uso no MediRec, ilustrando esse fenômeno. As colunas em tons de verde representam os encaminhamentos realizados diretamente no SISREG; as colunas em tons de azul, os encaminhamentos realizados via MediRec. Além da curva de adoção, os gráficos evidenciam uma diferença relevante na taxa de autorização: os encaminhamentos realizados diretamente no SISREG apresentam uma proporção menos favorável entre pendentes e autorizados, enquanto os encaminhamentos feitos via MediRec concentram uma proporção significativamente maior de autorizações. Isso sugere que a padronização e a qualificação dos encaminhamentos promovidas pelo MediRec contribuem diretamente para melhores taxas de aprovação pela regulação.

Encaminhamentos mensais na CF Vila do João, mostrando a migração do SISREG direto para o MediRec.
CF Vila do João
Encaminhamentos mensais na CF Zilda Arns, mostrando a adoção orgânica do MediRec.
CF Zilda Arns
Encaminhamentos mensais na Área de Planejamento 3.1, mostrando a migração do SISREG direto para o MediRec.
Área de Planejamento 3.1

8. Conclusão

O MediRec representa uma mudança estrutural na forma como as unidades de saúde da rede pública gerenciam seus processos de regulação assistencial. Os resultados apresentados neste documento não são projeções — são evidências mensuráveis, colhidas em campo, nas unidades e áreas que já operam a plataforma.

A economia de 8 a 12 horas semanais por médico, a redução de 65% no estoque de devolvidos, a queda de mais de 50% na taxa de devolução e o crescimento orgânico e sustentável da adoção compõem um quadro consistente: o MediRec não apenas automatiza tarefas — ele transforma a cultura de trabalho das equipes, reduz o retrabalho administrativo e libera os profissionais de saúde para o que realmente importa, o cuidado ao paciente.

A curva de adoção observada nas unidades pioneiras demonstra ainda que a plataforma se consolida de forma autônoma, sem necessidade de pressão institucional contínua. Uma vez que os early adopters iniciam o uso e os resultados tornam-se visíveis, a democratização ocorre naturalmente — e o MediRec passa a ser o canal preferencial da unidade.

À medida que a rede amplia sua cobertura, os ganhos se multiplicam: mais encaminhamentos qualificados, maior taxa de autorização pela regulação, menos tempo de espera para os pacientes e uma gestão territorial mais transparente e orientada por dados.

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