Caso · Tuberculose
Conectando dados, acompanhando cada caso.
O papel da integração de informações no cuidado da tuberculose. O MediRec conecta os sistemas que a rede já usa — SINAN, GAL, SISREG, SIMC — e transforma dados dispersos em um caminho claro: da suspeita ao encerramento, com o paciente sempre à vista.
O problema
O cuidado não falha por falta de sistemas — mas pelas lacunas deixadas entre eles.
Entre um sistema e outro, o fluxo se rompe. E é nessas quebras que o paciente com tuberculose se perde.
Requisição do GAL incompleta.
Encaminhamento no SISREG com risco mal atribuído.
Exame alterado que ninguém vê.
Contrarreferência que nunca volta.
“Suspeitei — e agora? O paciente entregou o escarro; o TRM ou o BAAR já saíram? E a cultura, que leva ~2 meses, será que se perde no caminho?”
Captar o paciente depois da suspeita e manter o seguimento depende hoje de o profissional se policiar o tempo todo — lembrar de atualizar o SINAN, conferir exames, seguir o cartão de TDO — em sistemas que não se falam. É aí que nascem a subnotificação, o abandono e a perda de seguimento.
A rotina hoje
A constelação do caos
A rede do Rio opera com 9 sistemas de informação distintos, cada um com lógica própria e sem integração nativa. Para acompanhar um único caso de tuberculose — notificar, pedir baciloscopia, regular o encaminhamento, rastrear contatos e monitorar o tratamento — o profissional transita por quase todos eles, à mão. A visão do paciente se fragmenta, o seguimento fica dependente de o profissional se lembrar, e o tempo de cuidado escoa nas telas.
Hoje, o profissional lida direto com todos os sistemas — pedidos e resultados, de ida e volta, multiplicados a cada paciente. Com o MediRec, os sistemas alimentam uma só camada, que consolida por paciente e mostra ao profissional só o que é prioritário.
A proposta
O MediRec não substitui nenhuma base. Ele orquestra as que já existem.
Como funciona
Uma camada sobre o que já existe
Você acabou de ver essa camada em ação. Por baixo, ela não substitui nenhum sistema — organiza o que a rede já usa, em três níveis.
A interface do profissional, exibindo o caminho claro e priorizado do paciente.
Unindo dados de vigilância e laboratórios em um só lugar.
Mantêm-se como a origem oficial da informação.
Os três pilares
Do dado disperso à ação certa — na entrada, no percurso e na decisão.
Em cada caso de tuberculose, o dado vira conduta — antes que a lacuna vire abandono.
Solicitação Inteligente
O profissional é guiado a qualificar a requisição antes que o erro aconteça.
Vigilância Ativa
A vigilância é ativa, não reativa: o MediRec cruza bases para detectar inconsistências e apontar situações que precisam de acompanhamento antes que virem interrupção de tratamento ou perda de seguimento.
Na prática, a TB resistente (TBDR) deixa de aparecer só quando a cultura é revista lá pelo quinto mês — o cruzamento antecipa a suspeita de resistência e a conduta, em vez de esperar o resultado se perder no caminho.
Conduta Guiada
Protocolos saem do papel e operam ativamente no fluxo de trabalho. Os protocolos ganham vida.
O profissional insere a descrição clínica.
O MediRec avalia critérios de inclusão e exclusão (SISREG).
O sistema sugere a conduta clínica ideal no momento da decisão.
Paciente de 29 anos, tosse seca e febre persistentes há ~3 semanas, sem melhora clínica. Solicita-se escarro induzido para investigação diagnóstica.
Situação: pendente regulaçãoSolicitação inválida: não atende aos critérios de referência. Para ser válida — incapacidade de expectoração espontânea (ou escarro de baixa qualidade), suspeita clínica e, idealmente, alterações radiológicas sugestivas de TB pulmonar.
Os protocolos ganham vida: saem do lugar de “documentos pouco consultados” e passam a fazer parte efetiva do trabalho.
O MediRec na prática
Na tuberculose, ninguém cai no vão
O cruzamento de bases da seção anterior vira uma fila de trabalho: o painel mostra quem precisa de atenção — antes de virar abandono ou perda de seguimento. E a equipe age do próprio painel.
Ilustração esquemática da interface — dados fictícios.
Equipe e território
Transformando dados em InformAÇÃO
A ponte definitiva entre a equipe técnica e o território — no lugar do WhatsApp de corredor e da Ficha B em papel.
Identifica a necessidade de TDO ou baciloscopia de controle.
Tarefa oficial criada com todo o contexto clínico.
Recebe a solicitação estruturada.
Executa e responde no mesmo ambiente.
O que muda
Resultados que voltam para o cuidado
Redução de erros
Menos solicitações devolvidas no SISREG e menos inconformidades no GAL. A real necessidade do exame é qualificada, e o usuário chega ao especialista sem idas e vindas.
Comunicação integrada
Fim dos instrumentos paralelos — livro de amostras, planilhas de duplicados, WhatsApp solto. O módulo Tarefas vira a ponte oficial entre a equipe técnica e o ACS.
Rastreabilidade total
Registro completo do itinerário terapêutico na rede, identificando pacientes com exames pendentes e situações que exigem intervenção imediata da equipe.
Tempo clínico ganho
O tempo recuperado volta para o que importa: identificação de novos casos, grupos de adesão ao tratamento e busca ativa de faltosos. Mais tempo para cuidar.
A jornada
De um piloto a toda a rede
Da primeira unidade à rede municipal, sempre pelo mesmo princípio: complementar o que já existe.
Jan 2025
O marco zero
Piloto na CF Vila do João (AP 3.1), nascido das necessidades reais da ESF com o SISREG.
Jul 2025
A grande escala
Ampliação oficial para todo o município.
Nov 2025
Expansão de escopo
Customização para outras doenças crônicas transmissíveis.
2026
Cobertura total
1.286 equipes em 247 unidades básicas, nas nove áreas programáticas do município — com integrações ativas e novas em implantação.
Fonte: Memorando S/SUBPAV nº 16/2026.
O sentido de tudo
Devolvendo tempo ao cuidado.
“Reunir e integrar os dados não basta — precisamos transformá-los em ação. É isso que temos feito: InformAÇÃO.”
O MediRec permite que a rede enxergue o paciente com tuberculose em tempo quase real. A tecnologia a serviço da vida.